Sempre fiz amor
dedicado a ti.
Mesmo quando
ainda não sabia
que existias.
Até te encontrar...
E perceber
que meu coração
sempre soube
o caminho.
Sempre fiz amor
dedicado a ti.
Mesmo quando
ainda não sabia
que existias.
Até te encontrar...
E perceber
que meu coração
sempre soube
o caminho.
Temos os mesmos medos,
mas, ao mesmo tempo,
queremos o mesmo
com a mesma intensidade.
Temos as mesmas certezas,
mas, ao mesmo tempo,
as mesmas dúvidas.
É um abismo sem fim.
Temos a mesma coragem,
mas, ao mesmo tempo,
recuamos,
silenciamos.
Dois passos à frente,
um universo entre nós.
Como dois espelhos
refletindo a mesma luz,
sem saber
quem será o primeiro
a atravessar o silêncio.
Sempre tive dificuldade em compreender
alguns comportamentos humanos.
Achei que, com o passar dos anos,
isso diminuiria.
Mas não.
Aprendi a conviver,
Embora meu corpo ainda carregue
as consequências de ouvir,
todos os dias,
grandes barbáries.
E, por vezes,
de presenciá-las.
O preconceito não mora apenas
na agressão direta.
Ele também se esconde
no bullying,
na "brincadeira inocente",
na piada contada
entre amigos e familiares.
Dizem que é proibido falar
de futebol,
religião
e política.
Preto fala de preto.
Branco fala de branco.
Gordo fala de gordo.
Magro fala de magro.
Mas, quando o assunto
é saúde mental,
parece que todos
se sentem autorizados a opinar.
Gardenal vira piada.
"Retardado" vira palavra de passagem.
O preconceito veste o disfarce
do humor.
Passa de geração em geração,
ensinado nos olhares,
nas risadas,
nos almoços de domingo,
sob o aval silencioso
dos patriarcas.
E, quando finalmente
volto para a minha realidade,
agradeço.
Pela liberdade
de não precisar rir
da dor de ninguém.
Depois de tudo,
perguntaram-me
como ainda consigo acreditar no amor.
Sorri.
Como não acreditar
naquilo que me desperta
antes mesmo que os meus olhos encontrem a manhã?
Na força invisível
que me veste de esperança
e me beija a alma
antes que a noite me adormeça?
Como não acreditar
em algo que percorre minhas veias
como se o próprio universo
tivesse escolhido meu peito
para aprender a pulsar?
O amor mora em mim.
Não como visita,
mas como origem.
Habita cada célula,
cada silêncio,
cada cicatriz
que um dia confundiram com fim,
mas eram apenas portas.
Como não acreditar
naquilo que perfuma o ar que respiro,
que transforma o som das palavras
em carícias,
e faz do invisível
a presença mais concreta da minha existência?
O amor não depende
de ser correspondido.
Ele simplesmente é.
É chama.
É mar.
É céu inteiro
derramando infinito
dentro de um único coração.
E se tu,
que agora atravessas estes versos,
não o sentes estremecer
na pele,
no peito,
nas entranhas...
talvez ainda não tenhas encontrado
o lugar
onde a tua alma
se reconhece
na alma de alguém.
Porque, quando isso acontece,
o amor deixa de ser uma palavra.
E torna-se
a única verdade
capaz de sobreviver
a tudo.
Aquele que me vê
não apenas me olha.
Me encontra.
Hora sou riso descalço,
hora, ventania.
Por vezes, calmaria.
Noutras...
a ironia de quem aprendeu
a sobreviver.
E quando o circo silencia,
quando as máscaras tombam,
restam os de fé.
Os que permanecem
mesmo diante das minhas tempestades.
Porque os laços
que nascem da alma
o tempo não desfaz.
Ao contrário...
é ele quem revela
a verdade.
Quem é real
reconhece o ilusório.
E quem toca minha essência
jamais me confunde
com os personagens
que a vida me obrigou a vestir.
Aquele que me vê
Me encontra.
Hora saltitante,
hora ventania.
Por vezes, calmaria.
Outras... ironia.
E quando o circo vai embora,
quando as máscaras caem,
ficam os de fé.
O laço
não se desfaz.
O tempo traz a verdade.
Quem é real
reconhece o ilusório.
Sempre fiz amor dedicado a ti. Mesmo quando ainda não sabia que existias. Até te encontrar... E perceber que meu coração sempre soube o cami...