terça-feira, 14 de julho de 2026

Espelhos

Temos os mesmos medos,
mas, ao mesmo tempo,
queremos o mesmo
com a mesma intensidade.

Temos as mesmas certezas,
mas, ao mesmo tempo,
as mesmas dúvidas.
É um abismo sem fim.

Temos a mesma coragem,
mas, ao mesmo tempo,
recuamos,
silenciamos.

Dois passos à frente,
um universo entre nós.

Como dois espelhos
refletindo a mesma luz,
sem saber
quem será o primeiro
a atravessar o silêncio.


segunda-feira, 13 de julho de 2026

Seres humanos

Sempre tive dificuldade em compreender

alguns comportamentos humanos.

Achei que, com o passar dos anos,

isso diminuiria.

Mas não.

Aprendi a conviver,

Embora meu corpo ainda carregue

as consequências de ouvir,

todos os dias,

grandes barbáries.

E, por vezes,

de presenciá-las.

O preconceito não mora apenas

na agressão direta.

Ele também se esconde

no bullying,

na "brincadeira inocente",

na piada contada

entre amigos e familiares.

Dizem que é proibido falar

de futebol,

religião

e política.

Preto fala de preto.

Branco fala de branco.

Gordo fala de gordo.

Magro fala de magro.

Mas, quando o assunto

é saúde mental,

parece que todos

se sentem autorizados a opinar.

Gardenal vira piada.

"Retardado" vira palavra de passagem.

O preconceito veste o disfarce

do humor.

Passa de geração em geração,

ensinado nos olhares,

nas risadas,

nos almoços de domingo,

sob o aval silencioso

dos patriarcas.

E, quando finalmente

volto para a minha realidade,

agradeço.

Pela liberdade

de não precisar rir

da dor de ninguém.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Sobre o amor

Depois de tudo,

perguntaram-me

como ainda consigo acreditar no amor.

Sorri.

Como não acreditar

naquilo que me desperta

antes mesmo que os meus olhos encontrem a manhã?

Na força invisível

que me veste de esperança

e me beija a alma

antes que a noite me adormeça?

Como não acreditar

em algo que percorre minhas veias

como se o próprio universo

tivesse escolhido meu peito

para aprender a pulsar?

O amor mora em mim.

Não como visita,

mas como origem.

Habita cada célula,

cada silêncio,

cada cicatriz

que um dia confundiram com fim,

mas eram apenas portas.

Como não acreditar

naquilo que perfuma o ar que respiro,

que transforma o som das palavras

em carícias,

e faz do invisível

a presença mais concreta da minha existência?

O amor não depende

de ser correspondido.

Ele simplesmente é.

É chama.

É mar.

É céu inteiro

derramando infinito

dentro de um único coração.

E se tu,

que agora atravessas estes versos,

não o sentes estremecer

na pele,

no peito,

nas entranhas...

talvez ainda não tenhas encontrado

o lugar

onde a tua alma

se reconhece

na alma de alguém.

Porque, quando isso acontece,

o amor deixa de ser uma palavra.

E torna-se

a única verdade

capaz de sobreviver

a tudo.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Laço profundo

 Aquele que me vê


não apenas me olha.


Me encontra.


Hora sou riso descalço,

hora, ventania.


Por vezes, calmaria.


Noutras...

a ironia de quem aprendeu

a sobreviver.


E quando o circo silencia,


quando as máscaras tombam,


restam os de fé.


Os que permanecem


mesmo diante das minhas tempestades.


Porque os laços

que nascem da alma


o tempo não desfaz.


Ao contrário...


é ele quem revela

a verdade.


Quem é real


reconhece o ilusório.


E quem toca minha essência


jamais me confunde


com os personagens

que a vida me obrigou a vestir.

Laço

Aquele que me vê


Me encontra.


Hora saltitante,

hora ventania.


Por vezes, calmaria.

Outras... ironia.


E quando o circo vai embora,

quando as máscaras caem,


ficam os de fé.


O laço

não se desfaz.


O tempo traz a verdade.


Quem é real

reconhece o ilusório.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Espelhos

Temos os mesmos medos, mas, ao mesmo tempo, queremos o mesmo com a mesma intensidade. Temos as mesmas certezas, mas, ao mesmo tempo, a...