Depois de tudo,
perguntaram-me
como ainda consigo acreditar no amor.
Sorri.
Como não acreditar
naquilo que me desperta
antes mesmo que os meus olhos encontrem a manhã?
Na força invisível
que me veste de esperança
e me beija a alma
antes que a noite me adormeça?
Como não acreditar
em algo que percorre minhas veias
como se o próprio universo
tivesse escolhido meu peito
para aprender a pulsar?
O amor mora em mim.
Não como visita,
mas como origem.
Habita cada célula,
cada silêncio,
cada cicatriz
que um dia confundiram com fim,
mas eram apenas portas.
Como não acreditar
naquilo que perfuma o ar que respiro,
que transforma o som das palavras
em carícias,
e faz do invisível
a presença mais concreta da minha existência?
O amor não depende
de ser correspondido.
Ele simplesmente é.
É chama.
É mar.
É céu inteiro
derramando infinito
dentro de um único coração.
E se tu,
que agora atravessas estes versos,
não o sentes estremecer
na pele,
no peito,
nas entranhas...
talvez ainda não tenhas encontrado
o lugar
onde a tua alma
se reconhece
na alma de alguém.
Porque, quando isso acontece,
o amor deixa de ser uma palavra.
E torna-se
a única verdade
capaz de sobreviver
a tudo.