sexta-feira, 10 de julho de 2026

Sobre o amor

Depois de tudo,

perguntaram-me

como ainda consigo acreditar no amor.

Sorri.

Como não acreditar

naquilo que me desperta

antes mesmo que os meus olhos encontrem a manhã?

Na força invisível

que me veste de esperança

e me beija a alma

antes que a noite me adormeça?

Como não acreditar

em algo que percorre minhas veias

como se o próprio universo

tivesse escolhido meu peito

para aprender a pulsar?

O amor mora em mim.

Não como visita,

mas como origem.

Habita cada célula,

cada silêncio,

cada cicatriz

que um dia confundiram com fim,

mas eram apenas portas.

Como não acreditar

naquilo que perfuma o ar que respiro,

que transforma o som das palavras

em carícias,

e faz do invisível

a presença mais concreta da minha existência?

O amor não depende

de ser correspondido.

Ele simplesmente é.

É chama.

É mar.

É céu inteiro

derramando infinito

dentro de um único coração.

E se tu,

que agora atravessas estes versos,

não o sentes estremecer

na pele,

no peito,

nas entranhas...

talvez ainda não tenhas encontrado

o lugar

onde a tua alma

se reconhece

na alma de alguém.

Porque, quando isso acontece,

o amor deixa de ser uma palavra.

E torna-se

a única verdade

capaz de sobreviver

a tudo.

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