domingo, 2 de agosto de 2026

Tempo

Guerras.
El Niño.
Epidemias.

Não tenho tempo a perder.

Entreguei-me ao universo,
como quem acende uma chama
na certeza de que será vista.

Pus-me na vitrine da vida,
não por vaidade,
mas porque meu corpo cansou de esperar
o toque do destino.

Sei que me procuras.

Há noites em que sinto tua presença
deslizar pela minha pele
antes mesmo de teus dedos existirem em mim.

Minha alma chama a tua
com uma fome antiga,
dessas que não nascem no corpo,
mas fazem o corpo inteiro arder.

Não sei teu nome.
Não conheço teu rosto.

Ainda assim, reconheço teu perfume
no vento que atravessa minha janela,
teu silêncio entre meus pensamentos,
teu abraço na ausência.

És uma saudade de alguém
que nunca beijei.

E talvez seja esse o maior mistério do amor:

Desejar com tanta intensidade
alguém que os olhos ainda não encontraram,
mas que a alma já despiu,
já acolheu
e já chamou de lar.

Tempo

Guerras. El Niño. Epidemias. Não tenho tempo a perder. Entreguei-me ao universo, como quem acende uma chama na certeza de que será vista. Pu...